terça-feira, 23 de setembro de 2008

Primeiro adeus a Madrid

Depois de alguns dias sofridos, outros divertidos, outros assim-assim, chegou a altura do primeiro adeus a Madrid. Era suposto chegar aqui, adorar a cidade e não querer mais sair daqui... No entanto, não nego que estou cheia de vontade de voltar a Portugal.

Gosto de cá estar, sim. Gosto das caminhadas durante horas a fio com a Rita e a Isabel à descoberta da cidade. Gosto de chegar a casa e ter uma mistura de idiomas, e de nacionalidades que acaba por gerar situações engraçadas no dia-a-dia. Gosto quando vêm cá pessoas e improvisamos sangria e falamos dos nossos países, do que está bem, mal, ou simplesmente do que já foi bom.

Mas o mais engraçado ainda é quando começamos a comparar o espanhol com o português... Pois é, há coisas bastante perigosas! Começando...
Rato aqui é uma porção de tempo! Espera un rato, é como espera um bocado! Boa! Tenho de avisar a minha mãe antes de ela vir cá, não vá acontecer que se ponha aos berros só porque alguém lhe disse para esperar um bocado!
Embarazada é grávida, sim senhor! Esta nem a francesa cá de casa sabia! :)
Corrida: cuidado com esta palavra, porque em espanhol quer dizer ejaculação, mas assim num tom mais brejeiro, vá.
Ligar também é engraçada... esta é como engatar, ou algo do género!
Pinar é um pinhal, e pizarra é o quadro onde os professores escrevem as coisinhas para ensinar aos meninos!

Há muitas mais, mas não digo, porque é sempre giro chegar cá e descobrirmos nós próprios estas coisas!

Mas apesar de tudo, quero muito ir a Portugal. Acho que herdei da minha mãe a incapacidade de estar longe das pessoas de quem se gosta. E sinto isso cada vez que ouço uma música que me lembra alguém, cada vez que é algum dia especial, cada vez que chove e Madrid fica caótica, e mais cinzenta que nunca. Sinto saudades, essa palavra que não existe no vocabulário espanhol, (nem em qualquer outro no mundo), quando chega ao sábado e não fico enroladinha no sofá, ou na cama contigo, a ver séries toda a tarde. Ou quando é domingo e não posso ir à praia ver o pôr-do-sol.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Orgulho de ser portuguesa

A cidade de Madrid é linda! É fantástico ver os contrastes de uma verdadeira metrópole: tão depressa estamos numa bem movimentada avenida, como passamos pelos parques, ou monumentos históricos que nos deixam de boca aberta, como um burro a olhar para um palácio, quase no sentido literal!

Os fins de tarde são fantásticos, com as pessoas a juntarem-se nas glorietas para tomar cañas e tapas. As noites são loucas, em todos os sentidos. Mas ainda assim, há coisas que me fazem ter orgulho de ser portuguesa…

Ponto 1: os multibancos espanhóis!
De certeza que todos os portugueses que usam pela primeira vez um multibanco fora do nosso país, e mais concretamente em Espanha, apanham um susto. A verdade é que neste aspecto, e no que toca a muitos outros de tecnologia, estamos muito à frente. Os multibancos espanhóis são feios, e quase a preto e branco. Por vezes têm umas corzinhas, mas o sistema cromático não ultrapassa as duas ou três cores. Fazem perguntas estúpidas, e ainda por cima não dão para fazer metade das coisas que os nossos dão. Mais interessante ainda é cobrarem uma taxa de movimentos a quem não seja da rede bancária, o que obriga a que os nossos queridos hermanos dêem voltas e voltas à procura da caixa onde podem levantar dinheiro. Graças a deus, não me converti a essas parolices das contas espanholas, e como portuguesa que sou, posso levantar dinheiro onde quiser sem qualquer taxa!

Ponto 2: os cartões de multibanco
Ora quem anda às compras em Madrid e decide usar o belo do cartão multibanco para fazer compras depara-se com o seguinte… Entrega o cartão, que o empregado olha com ar desconfiado por ser português, pede identificação (identificação? Para quê? Isto não é um visa!), assina um papelinho, e não… não marca código! Código? Nãoooo… É de facto muito mais seguro fazer uma assinatura num papel e toca a andar! E claro que isto tem o inconveniente de os filhinhos não puderem usar os cartões dos papás! Um problema…

Ponto 3: os metros!
Tenho de ser bem específica neste ponto, porque se há coisa que Madrid tem de bom é a rede de metro. O engraçado da coisa vai desde o tamanho dos bilhetes (pequeníssimos, muitos susceptíveis de se perderem!) ou passes (enormes e feios!) aos condutores dos comboios que, por vezes, se enganam no sítio que é suposto pararem e depois têm de fazer marcha-atrás! Para já não falar das estações de metro que nunca se podem comparar às belas estações de Liboa.

Ponto 4: o tempo e a poluição
Clima de Madrid + Poluição = pele seca e estragada, lábios com cieiro, garganta irritada e coisas estranhas no nariz! Oh belas tardes soalheiras e calmas de Portugal!

Ponto 5: pavimentos da rua
Este é realmente um ponto crítico, se compararmos o pavimento das ruas de Madrid com a nossa calçada portuguesa… Sem comparação possível!
Podia continuar com muitos mais pontos a favor do nosso belo Portugal. A verdade é que quanto mais tempo passo longe dele, mais saudades tenho...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Espanholas porcas

Todos nós temos a ideia generalizada de que as espanholas são por natureza mulheres bonitas, e que se arranjam muito. Quando pensamos em espanholas, lembramo-nos sempre daquelas velhinhas com cabelo que pode ser branco, mas sempre muito arranjado, muito maquilhadas, com uns lábios vermelhos e, às vezes, até com uma flor a apanhar o cabelo.

Hoje em dia, continuam a existir essas velhinhas… A grande diferença que vejo é nas raparigas novas, nas moçoilas, vá. Quem sai em Madrid à noite (e de dia também…) sujeita-se a ver frequentemente mulheres desnudas a passearem-se pelas ruas. As mini-saias chocantes, o shortzinho, o vestido que mais parece camisola, fazem conjunto com os enormes saltos, com a maquilhagem provocante e com os cabelos arrojados.

Aqui, as mulheres vestem-se como se por um bar de strip andassem. E mais engraçado que isso é ver como elas realmente adoptam a personagem de menina de strip: fazem questão da correspondente indumentária, como já disse, e representam por esses bares e discotecas fora o papel na perfeição: seduzem qualquer tipo de homem (ou mulher, porque não…), alinham em troca de carinhos (e outras coisas mais) ali mesmo, e o mais fantástico de tudo, e aí diferem das verdadeiras meninas do strip, é que não cobram dinheiro!

Portanto, portugueses que sejam frequentadores habituais de casas de strip em Portugal: aproveitem as promoções da Ryanair e venham até Madrid desfrutar desses serviços à borla! Com um pouco de sorte, ainda vos dão alojamento e tudo!

Saindo agora de brincadeiras, o facto é que me chocou um bocado a atitude das mulheres espanholas. Fui então tentar descobrir com a espanhola de mais confiança – a Alba- se este tipo de comportamento é normal, se sou eu que sou demasiado pudica, ou se é realmente um exagero. A explicação tem a ver com a forte distinção entre sexos, e com a afirmação da mulher em termos sexuais, parece. Aqui é muito normal sair para “ir à caça”, para passar uns bons momentos com um nobre desconhecido, e já está! Devo dizer, e quem me conhece a sério sabe, que não costumo ser preconceituosa nestes aspectos, nem tão pouco sensível a “manifestações de afecto” públicas, mas claro, há sempre um limite. E neste caso, parece-me que o limite do que acho aceitável, é ultrapassado e muito!

É claro que nem todas as espanholas são assim… Obviamente! E se calhar até cometo o erro crasso de meter espanholas e sul-americanas no mesmo saco… Perdoem-me se assim o faço! Mas a realidade é que alguns dos meus amigos iam adorar estar aqui… Viva la Espana!

sábado, 13 de setembro de 2008

A ver lo seguiente!

O dia 3 já foi mais calmo… Como não tinha nada que fazer, deu para dormir até tarde, ir a umas tapas muito porreiras com a Alba: El Tigre, na Calle de las Infantas. Pede-se umas bebidas, oferecem-nos umas tapas, que comemos em pé no meio de uma grande confusão, e limpamos os dedos com guardanapos de papel que depois deitamos para o chão (diz que é tradição!).
Lá fomos então ao teleférico, muito bonito e tal, mas que a mim me desiludiu um bocado por não se ver muito de Madrid, e ser a maior parte pela Casa de Campo (o pulmão de Madrid, dizem eles!). O dia estava a correr tão bem, mas o André tem de voltar para Portugal. Custou-me. Passámos estes dias sempre os dois, e foram bem fixes, e agora fico aqui sozinha e não sei o que vai acontecer…

Realmente não foi fácil ficar aqui sozinha. A noite dentro do meu quarto ganha uma dimensão assustadora. Sinto falta de muita coisa aqui… O pessoal que já cá vive em casa acaba por não ser tão simpático quanto isso, e sinto me muito sozinha. O objectivo agora é passar o menos tempo possível em casa, para não entrar em pessimismos!


Quando o curso de espanhol começa, conheço logo vários portugueses que me deixam mais animada! Fazem planos de saídas, de jantares e tal… Eu pensava que não, mas é muito bom encontrar portugueses e conviver com eles fora do nosso Portugalito.
Ultimamente eles têm sido a minha “salvação”. Eles, e o Rubén e o Daniel, que vieram cá passar o fim-de-semana, e que também são uns fixes!


As aulas de espanhol são sempre de manhã, o me que deixa a tarde toooda livre, e logo a ter de arranjar mil e quinhentas coisas para fazer para sair de casa… Até agora, não estamos mal! Já vi o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, a Plaza Mayor, a Plaza de Espana, a Gran Via, passeei por bairros engraçados, tipo Chueca, La Latina, etc… Mas também não posso ver tudo de uma vez, porque tenho cinco meses pela frente!


Na primeira saída à noite, acabámos numa “discoteca” muito má, com música que não lembra a ninguém, onde as mulheres se fazem a tudo e todos, seja homem ou mulher! Voltei a casa morta…! Andar a passear todos os dias é muito fixe, mas estou farta de andar a pé, que até dores de músculos tenho, coisa que não me lembro de ter há muitos anos… A ver lo seguiente!

Dia 2: a saga continua!

Em busca do quarto perdido! Mais uns telefonemas e depois do belo pequeno-almoço do Arturo, lá vou eu! Calle Marques de Urquijo… A zona é muito boa, o preço do quarto é óptimo e fica só a duas paragens de metro da faculdade! Tão bom que até parece mentira! Mas até era verdade. A casa é velhota, o quarto parece um teste para claustrofóbicos, mas o preço convenceu-me! E assim, depois de pagar a renda e uma fianza, assinar os papeis ao senhorio, que por acaso até é um velhote simpático, já não sou homeless! Resolvido o problema, vamos passear!

Estaciona-se o coche e lá seguimos a pé… Ás voltinhas, lá descubro que a zona é mesmo fixe, tem tudo o que se precisa, incluindo um enorme El corte inglês, essa peste de que Espanha já não se consegue livrar! A zona antiga também é bonita para se andar a pé, e tem muitos postos de turismos com meninas simpáticas a dar informações!

A Gran Via é mesmo graaande e tem muitas sturbucks! Depois disto lá nos decidimos por uma voltinha de teleférico, que por acaso é mesmo ao pé de casa, até que vem uma valente chuvada e voltámos para o hotel que era muito quentinho e bom!

No inicio da noite, voltei ao quarto que agora é Meu para deixar as “maletas”. Depois de subir três andares com tudo às costas, porque o elevador se tinha avariado com a chuva, lá enfiei tudo nesse pequeno espaço, e saí com o objectivo de ir comer qualquer coisa a um centro comercial e dar uma voltinha nas lojas… Mas qual não é o meu espanto quando vejo um belo de um colchão, encostado a outros moveis igualmente belos mesmo à porta de casa… Lembrei-me depois desse velho costume espanhol, que agora parece estar organizado por datas e tudo, que é deixar coisas de que já não se precisa na rua, para que venha alguém a quem aquilo faça jeito e leve para casa…

Ora a mim fazia-me jeito o colchãozinho, porque espero que alguém me venha visitar! J portanto voltei a subir três andares, mas desta vez com um colchão na mão! Depois disto ainda atravessei a estrada, porque estavam muitas coisas do outro lado, e consegui trazer uns livrinhos em espanhol, para me ir habituando! Porreiro!

Para terminar o dia em beleza, só faltava onde jantar… Como já era tarde, optámos pelo Centro Comercial. Opção errada! Em Madrid, os centros comerciais fecham às 22h! Ou na melhor das hipóteses mantêm a parte de restauração aberta até à meia-noite. Depois de várias tentativas lá encontrámos um MacDonald’s, lambuzámo-nos com um grande hamburger e voltamos para o nosso lindo hotel.

Hola! Estoy llamando por una habitacion que se alquila…

Esta foi sem dúvida a frase que eu mais disse quando cheguei a Madrid. A verdade é que arranjar um quartito minimamente decente, onde coubesse eu e mais umas poucas (ou muitas?) coisas que trouxe, não foi nada fácil… Depois de 40€ gastos de telemóvel a repetir aquela bela frase e pouco mais, porque o meu espanhol ainda está longe de ser “de puta madre”, e de algumas visitas algo estranhas a quartos que nem descrevo, lá arranjei aqui um sitiozinho onde ficar…

Desde um quarto em casa de uma velha chata, que repetia vezes sem conta que queria “una chica tranquila”, que não fizesse barulho, não sujasse, não atrapalhasse e quase não respirasse, a quartos minúsculos caríssimos, onde a cozinha era improvisada no meio do corredor, tudo me apareceu!

Falta dizer que cheguei a Madrid na segunda-feira de manhã, depois de uma viagem de 300km, e com três horinhas de sono… (claro que as ultimas noites em Portugal tinham de ser aproveitadas, o que deu uma media de 3 horas de sono nas ultimas 3 noites). Bem, 11h da manhã e cá chegamos, eu e o meu “novio”, acompanhados pelo santo GPS com a voz do Scolari, direitinhos na porta da faculdade. Lá vou eu fazer um teste de espanhol! Não foi difícil, tirando a parte em que era suposto escrever uma carta em espanhol… Lindo! É nestas alturas que nos apercebemos que com o portunhol não se vai a lado nenhum. Vá lá que a Complutense é porreira e oferece uns cursos de espanhol ao pessoal!

Depois do teste, aparece a Alba-salvadora-da-patria que lá me faz uns telefonemas que vão um bocadinho mais além do “Hola! Estoy llamando por una habitacion que se alquila…” e lá conseguimos fazer uma selecção das habitaciones. Mas claro, não podia ser assim tão fácil…

Depois daqueles momentos cómicos das visitas aos quartos, põe-se uma questão não menos importante… Onde dormir? Lá se procuram uns hostels na net, mas àquela hora (umas 7h, 8h da tarde) o que apetecia era mesmo um bom hotel, para se tomar a bela da banhoca e dormir bem… O que vale é que mais uma vez o Scolari é um fixe e lá nos leva para o Aparthotel Arturo Soria, 4 estrelinhas, bem porreiro! Com direito a net nos quartos para se procurar mais umas habitaciones e tal… Claro que o André lá negoceia com o homem que acaba por nos fazer um grande desconto e oferecer o piqueno-almoço! Muy majo!